Agatha Christie, por causa da escritora inglesa de livros policiais, 15 anos do que se pode chamar de vida (ou primaveras, se você preferir), capital da Bahia. Irônica, excêntrica e apaixonada por livros.
42Saudade. Eu seria clichê se dissesse que a sinto demasiadamente por pessoas que mal enxerguei? Pois é. Eu a sinto. E sinto forte. Sinto com verdade, com dor. Sinto na pele, o arrepio da madrugada bater. A aurora sorrir sozinha. A poesia não se completar. A música não ouvir a si mesma. Sentimentos escaparem pelos dedos. Eu sou saudade. Acumulação. Riso de uma freira; assoalho de um mendigo, brinquedos de uma criança. Esquecimento. Esqueço de mim, dos outros, do que fui, do que tentei ser hoje, de como eu estava bem, de como eu queria estar bem, de como eu pedia para ficar bem, da palavra “bem”. Bem feliz, bem familiarizado, bem amigado, bem. Esqueci-me dos espinhos do caminho e decidi ser mais do que sou. Porém não fui; nunca serei. Seremos? não sei. A saudade mata-me aos poucos, a lonjura de lhe ver sozinho e o amor nada mútuo ferrenha-me; castiga-me, sufoca-me. Se lhe amo? Também não sei. Pergunte à saudade, que ficou para segundo plano logo no começo do trecho. Até ela se esquece das coisas… — Igor Pires, sobre Saudade