Agatha Christie, por causa da escritora inglesa de livros policiais, 15 anos do que se pode chamar de vida (ou primaveras, se você preferir), capital da Bahia. Irônica, excêntrica e apaixonada por livros.
290Eu sempre fiz aquele estilo todo errado. Aquele que chega num bar de samba, com trajes de rock’n’roll. Aquele que gritava, em lugares que exigiam silêncio. Aquele que ria, quando não podia. Sempre tive esse jeito desengonçado. Sempre derrubei tudo o que peguei. Sempre viro o copo de suco na mesa. Sou um desastre. Esses dias mesmo, derrubei o controle da televisão no chão e as pilhas foram parar debaixo da minha cama. Um único detalhe. Eram quatro e meia da madrugada. No futebol, desempenhava função de zagueiro e quando ia cortar a bola, gol contra. Nunca fui certo. Sempre fui pela metade. Meio certo, meio errado. Certas vezes mais certo, outras mais errado. Mas tais diferenças, nunca foram suficientes para deixar-me para baixo. Sei que sou assim e que nada nesse mundo é capaz de me mudar. Ah, depois de um tempo, a gente começa a aceitar-se. Da mesma forma que aprendemos a conviver com aquele colega de sala chato, a gente aprende a se aceitar. E quando a gente, acima de qualquer coisa, é feliz por ser o que é, a gente é feliz. Feliz de verdade. — Arthur Macedo