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Agatha Christie, por causa da escritora inglesa de livros policiais, 15 anos do que se pode chamar de vida (ou primaveras, se você preferir), capital da Bahia. Irônica, excêntrica e apaixonada por livros.

7Mas é que quando termina a gente se apega aos “e se?” e a tantas outras dúvidas… Enquanto ainda está durando sempre prevalece aquele sentimento de que vamos conseguir respostas para todas as nossas perguntas. Mas acaba. Afinal, até as estrelas morrem. E, aqui vai um segredo meio público: mesmo depois de morrerem, as estrelas continuam brilhando. Isso, meu bem, é uma metáfora para o meu amor; mesmo que o que havia entre ele e eu tenha morrido, meu amor ainda brilha e ilumina. Me ilumina. Sinto, no entanto, falta do brilho antigo, pois hoje não se passa disso: um brilho morto, que, para todas as pessoas, parece como antes. Só que o que havia morreu. Morreu. Você entende isso? Você sente a mesma coisa que sinto ao se deparar com essa palavra? Como disse, depois que termina a gente costuma se apegar as perguntas… e a minha é a seguinte: Como algo morto pode continuar tão vivo dentro de mim? — Ciciar 

(Source: ciciar)

6Por que insistem em fazer com que eu desacredite mais e mais no “para sempre”? Não poderia, ao menos uma vez, essa frase torna-se realidade? Talvez o “para sempre” e o “era uma vez” formem um conjunto existente apenas nos contos de fadas… E, definitivamente, eu não sou uma princesa, e tampouco príncipes existem. Mas, ainda assim, queria que essas duas palavrinhas fossem reais. Afinal, quantas vezes prometemos isso, selando a promessa com o dedo mindinho, com um beijo…? Só um. Só um “para sempre” seria suficiente para mim. — Ciciar
3Amor que eu nunca vi igual, que eu nunca mais verei.. Amor que não se pede, amor que não se mede. Que não se repete, amor… Não quero estar de fora, aonde esta você? Eu tive que ir embora mesmo querendo ficar. Agora eu sei… Eu sei que eu fui embora e agora eu quero você de volta pra mim. — Onde Você Mora?, Cidade Negra.
7Mas é que quando termina a gente se apega aos “e se?” e a tantas outras dúvidas… Enquanto ainda está durando sempre prevalece aquele sentimento de que vamos conseguir respostas para todas as nossas perguntas. Mas acaba. Afinal, até as estrelas morrem. E, aqui vai um segredo meio público: mesmo depois de morrerem, as estrelas continuam brilhando. Isso, meu bem, é uma metáfora para o meu amor; mesmo que o que havia entre ele e eu tenha morrido, meu amor ainda brilha e ilumina. Me ilumina. Sinto, no entanto, falta do brilho antigo, pois hoje não se passa disso: um brilho morto, que, para todas as pessoas, parece como antes. Só que o que havia morreu. Morreu. Você entende isso? Você sente a mesma coisa que sinto ao se deparar com essa palavra? Como disse, depois que termina a gente costuma se apegar as perguntas… e a minha é a seguinte: Como algo morto pode continuar tão vivo dentro de mim? — Ciciar
59Queria que fosse doce… E foi. Só que o tempo amargou. — Ciciar
1Mas hoje digo sem titubear: eu te amo, garoto. Amo mais que aqueles livros que você vivia se queixando que eu te largava para ler. Amo mais que algodão doce rosa e que o cheiro de dia nublado. Na verdade, nem sei ao certo porquê comparo essas besteiras ao amor que sinto por você… Acho que é a abstinência, que deixa tudo vazio. Deixa até minha cabeça vazia a tal ponto que não penso em nada coerente. Mas, tenha uma certeza, menino: eu te amo. — Ciciar
45Me sinto só. Sei que é apenas um sentimento mesmo, mas a solidão é inevitável até quando estou cercada de todos aqueles que amo e que sentem o mesmo por mim. Às vezes tenho a impressão de estar sentada, vendo a vida passar, as pessoas sorrirem… E me pergunto se, de fato, não é isso que está acontecendo. Está tudo girando ao meu redor, estão todos vivendo, e eu aqui, olhando. Cansei de ser narradora observadora, quero ser personagem. Quero sentir. — Ciciar
104Sou uma incógnita até mesmo para mim, e às vezes penso que ninguém nunca irá, de fato, saber quem eu sou. Sabe aquele quebra-cabeça todo embaralhado que você brincava quando era criança? Pois sou eu. E o desenho que aparece quando ele é montado é desconhecido. Até o nome combina perfeitamente comigo: quebra-cabeça. Vivo fazendo as pessoas quebrarem a cebeça para me entender, quando nem eu mesma consegui fazer isso. Sou um x ou um y sem resposta daquela sua apostila enorme de matemática, que nem mesmo sua professora quis corrigir. — Ciciar
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Querido eterno amor,
Não escrevo teu nome aqui, pois lembraria de coisas que tornariam o conteúdo dessa carta uma completa farsa. O certo seria dizer o quanto sinto a tua falta e implorar-te que volte para mim… No entanto, isso já se tornou clichê e — sempre foi — muito improvável sua volta. Sabe, estou me sentindo até forte escrevendo isso enquanto ouço uma música que diz “Quando eu irei te ver novamente? Você foi embora sem dizer adeus, não foi dita uma palavra sequer, nem um beijo final para selar as costuras. Eu não tinha idéia do estado em que estávamos” e enquanto como chocolate. Sabia que chocolate faz com que você se sinta apaixonado? Bom, foi isso que aprendi com o Willy Wonka. O fato é que me pergunto se você não comeu muito chocolate enquanto estávamos ‘juntos’ e criou a ilusão de estar apaixonado por mim. Se foi isso, sinto muito, pois talvez eu tenha comido o chocolate todo, pois essa minha paixão que ainda não terminou; isso, eu o que eu sinto é verdadeiro.

Pois bem, pretendia fazer desta a última carta para você, mas agora vejo que ainda existe tanta coisa a ser dita que isso me parece impossível, então quero dizer-lhe só umas palavras. Não choro mais por você. E durante alguns dias o teu nome nem me vem à cabeça… No entanto, não proclamo um vitória com isso, pois não é tão bom. Acho que isso só mostra que amadureci nesses nove meses que estamos distantes, e que o meu amor amadureceu também. Mas sabe que amadurecer é sinônimo de crescer? Sim, meu amor por você cresceu nesses meses, e agora, mais que antes, posso dizer com toda a verdade que existe em mim: Eu te amo. Entretanto, meu bem, como foi dito, amadureci… E já não tenho mais a mesma fé na tua volta, estou começando a aceitar que nem todo final é feliz e que ninguém vive “feliz para sempre”. Estou aceitando que minha vida não é uma comédia romântica e tampouco um conto de fadas.

É, escrevo esta carta para afirmar-te — e à mim também — que apesar de não estar mais fissurada em você, em não mais pedir você ao meu lado quando vejo 00:00h no relógio, não mais escrever teu nome na última página do meu caderno, que apesar de tudo isso o que eu sinto é o mais cristalino e incondicional que eu já senti um dia. Hoje tenho provas mais que suficientes que, assim como você foi o melhor amigo que já tive, que você sempre será o “Ele” de tudo o que escrevo.

— Agatha Christie Rabelo, Memórias Póstumas de Um Amor.