(Source: ciciar)
Querido eterno amor,
Não escrevo teu nome aqui, pois lembraria de coisas que tornariam o conteúdo dessa carta uma completa farsa. O certo seria dizer o quanto sinto a tua falta e implorar-te que volte para mim… No entanto, isso já se tornou clichê e — sempre foi — muito improvável sua volta. Sabe, estou me sentindo até forte escrevendo isso enquanto ouço uma música que diz “Quando eu irei te ver novamente? Você foi embora sem dizer adeus, não foi dita uma palavra sequer, nem um beijo final para selar as costuras. Eu não tinha idéia do estado em que estávamos” e enquanto como chocolate. Sabia que chocolate faz com que você se sinta apaixonado? Bom, foi isso que aprendi com o Willy Wonka. O fato é que me pergunto se você não comeu muito chocolate enquanto estávamos ‘juntos’ e criou a ilusão de estar apaixonado por mim. Se foi isso, sinto muito, pois talvez eu tenha comido o chocolate todo, pois essa minha paixão que ainda não terminou; isso, eu o que eu sinto é verdadeiro.
Pois bem, pretendia fazer desta a última carta para você, mas agora vejo que ainda existe tanta coisa a ser dita que isso me parece impossível, então quero dizer-lhe só umas palavras. Não choro mais por você. E durante alguns dias o teu nome nem me vem à cabeça… No entanto, não proclamo um vitória com isso, pois não é tão bom. Acho que isso só mostra que amadureci nesses nove meses que estamos distantes, e que o meu amor amadureceu também. Mas sabe que amadurecer é sinônimo de crescer? Sim, meu amor por você cresceu nesses meses, e agora, mais que antes, posso dizer com toda a verdade que existe em mim: Eu te amo. Entretanto, meu bem, como foi dito, amadureci… E já não tenho mais a mesma fé na tua volta, estou começando a aceitar que nem todo final é feliz e que ninguém vive “feliz para sempre”. Estou aceitando que minha vida não é uma comédia romântica e tampouco um conto de fadas.
É, escrevo esta carta para afirmar-te — e à mim também — que apesar de não estar mais fissurada em você, em não mais pedir você ao meu lado quando vejo 00:00h no relógio, não mais escrever teu nome na última página do meu caderno, que apesar de tudo isso o que eu sinto é o mais cristalino e incondicional que eu já senti um dia. Hoje tenho provas mais que suficientes que, assim como você foi o melhor amigo que já tive, que você sempre será o “Ele” de tudo o que escrevo.
— Agatha Christie Rabelo, Memórias Póstumas de Um Amor.